segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


BAHIA DE TODAS AS FESTAS

Mês de Dezembro, na Bahia
            É só folia...

Dizem as más línguas que baiano quando não está numa festa está preparando alguma.
E, em Dezembro,
então,nos superamos.
Começa com o 2 de dezembro que é o dia do samba,festejado aqui com muito batuque e samba no pé.
Tia Ciata, cujo nome de batismo era Hilária,
unanimemente considerada a  criadora do samba, nasceu na Bahia,embora tivesse se mudado para o Rio e lá ,como boa “feita” no Candomblé,impôs esse ritmo quente e negro aos cariocas.
No dia 4 de dezembro é a festa de Iansã, Santa Bárbara para os católicos, e os tambores começam a tocar desde a madrugada,
festejando a santa.Faz-se um caruru de mais de mil quiabos no Mercado do Ouro em homenagem aquela que comanda os ventos e  a força dos  elementos na ponta do seu florim,como canta a música.
Como não tem homem que enfrente a guerreira mais valente,
ninguém é louco de faltar com essa reverência,inclusive eu,que nasci dia 2 e  a tenho como santa   da minha cabeça segundo Mãe Menininha do Gantois.
No dia 8 é a festa da Conceição da Praia, festejadissima na zona do Comércio,
com barracas,fogos e muito samba.
Uma linda procissão sai a tarde seguida por fiéis contritos  contrastando com o tumulto á sua volta.
Salvador de todos os santos  e santas não poderia se esquecer de Santa Luzia, Oxum-Apará,dia 13,aquela que cuida da nossa visão,livrando-nos da cegueira.
Mais procissão, mais ritos,mais barulho.



No dia 24, enfim,o Natal.
Lembro-me dos natais da minha infância, sem  shoppings nem consumo exagerado,onde as famílias se reuniam em volta do presépio para adorar o Menino.
Cada casa fazia o seu e todos caprichavam  para ter o melhor,mais enfeitado e mais bonito.
Havia também o enorme  presépio das igrejas e conventos, com um belo menino rosado e  rechonchudinho,sendo adorado por pastores em tamanho natural,animais da estrebaria e reis magos de rosto severo e mãos atulhadas de presentes.
O menino era tão fofinho e tinha um ar tão risonho que era impossível não se apaixonar por ele.
À noite, as ceias pantagruélicas nas casas de família,o majestoso peru,o leitãozinho com o focinho enfeitado de tomates e ovos cozidos,a macarronada olorosa e o champanhe delicioso,trazendo alegria ao estourar, convocando  todos á felicidade.
As crianças com seus sapatinhos aos pés da cama esperando Papai Noel que nunca faltava,exatamente á meia noite,trazendo tudo que se encomendou,pois,o bom velhinho tem boa memória e não se esquece de ninguém.
Eu adorava as mesas de Natal com suas alvíssimas  toalhas de renda ou rechelieu,os cristais transparentes refletindo a luz colorida vinda da enorme árvore de Natal no canto da sala.
Saía toda a prataria e porcelanas guardadas o ano todo no enorme etagére da sala de jantar.
Muita luz,muito brilho,muitas flores um ritual de pura beleza.
Eu mudei,o Natal mudou,hoje  transformado em  festa ao Deus Consumo,raramente se vê famílias reunidas em torno da mesa,cheia de  pratos de plástico ou papelão.
As pessoas trocaram seus belos trajes pelo jeans descontraído e o champanhe pelo proseco ou pela cidra.
Os pães,bolos e o peru da ceia,quando os há, são comprados pronto,falta o elemento amor,que antes temperava todos os quitutes imprimindo-lhes mais sabor.
Passado o Natal vem a festa de Ano Novo,chamada de réveillon,assim mesmo á francesa,pois as famílias saem para comemorar nos hotéis ou em festas populares,com muito axé e muita cerveja.
Confesso que declino de qualquer convite para passar fora de casa a meia noite do dia 31.
Quero arrumar minha mesa á antiga,abrir um autêntico champanhe francês,incensar minha casa  e fazer a simpatia das uvas que repito há muitos anos.
Lembrando de minha mãe faço uma oração de agradecimento pelas conquistas do ano findo e peço graças para o novo ano que virá.
Na ceia,nunca o peru,pois,bichos que ciscam para trás,trazem dinheiro curto.Um bom assado de porco ou uma mesa á baiana com vatapá,caruru,efó,frigideira de camarão ou bacalhau vai muito bem.
Como sobremesa “Bûche de Nöel,cuja receita,ano passado coloquei no blog e pretendo repeti-la esse ano.
Luz,mais luz,dizia Goethe.Ilumino o terraço,uso as pequeninas árvores como árvore de Natal,com luzes e enfeites.
E,cumpridos os rituais,espero um ano mais feliz.



                    Vale do Ogunjá
AS RUAS QUE EU ANDO!...
“As ruas é que punham a si próprias seus nomes”...
                       Afrânio Peixoto

Q Rua do Cabrito,no subúrbio ferroviário,foi batizada assim porque havia ali,nos tempos de antanho,um engenho de cana com esse nome.
E foi ficando...
O vale do Bonocô ,segundo Valdeloir Rêgo,era antes uma baixada chamada de Gunocô que ,por sua vez,deriva-se de Igunnukô,lugar onde os negros faziam a festa do Baba Igunnukô,em volta das árvores sagradas e bem distante dos brancos do Centro Histórico.
                Rua do Cabrito

Origem parecida tem o Vale do Ogunjá que,ainda segundo Valdeloir,próximo ao Bonocô surgiram muitos terreiros como o Ilê Ogun Já,fundado por um filho de Oxalá,um grande  babalaorixá,mas,que entregou a Ogun Já  a cabeça do seu filho.


Aqui não poderia faltar o bairro do Pau Miùdo,bairro de  nome esquisito e propenso a duplo sentido.Contam os historiadores que,nos anos 20,existia uma certa cidade de palha,assim chamada porque de palha eram feitas as casas.
Um dia,resolveram modificar suas moradas para casas de barro e,para isso,toca a procurar madeira.Subiam e desciam a ladeira das Quintas atrás da tal madeira e  quando as pessoas perguntavam de onde vinham com aquele feixe de paus miúdos na cabeça,respondiam:
-Venho do pau miúdo.
Daí o nome.


Rua Guindaste dos Padres
Gente,subir e descer aquelas ladeiras íngremes que ligavam a Cidade Alta á Cidade Baixa,onde ficava o porto  ,não era moleza.
Pense nos pobres negros a carregar mercadorias e senhores de engenho nas suas cadeirinhas de arruar,abaixo e acima,dia a dia e veja porque os padres ,com a ajuda da Fazenda Real,resolveram construir um monta-cargas,baseado no sistema de balanças,que ficou conhecido como Guindaste dos Padres.Os jesuítas cobravam 20 vinténs para a subida de uma pipa de vinho.
Acabou-se esse meio de transporte, mas, o nome persiste.
As ruas de nome pitoresco são muitas e voltaremos a elas.



Os amigos Cymar,Miriam,Ivone Soll e Valdeck

SERENA EXPLOSÃO


Uma singela homenagem que recebi da poeta e amiga

IVONE SOLL


SERENA EXPLOSÃO
Para Miriam Sales

Diz-me da fonte que jorra em teus dias
Da beleza implícita na flor em botão
Que rebenta nos campos da poesia
Que sucede da tua alegria, feito canção

Conta-me dos anos que passam
Enquanto tu vives
Da criança que realça
Os teus matizes

Porque és encanto
E em todos os cantos te cantam... 
Enquanto dançam as nuvens
Nos empíreos que te alcançam

És tempestuosamente bonança
Serena explosão de vigor
Esplendor que dimana
Da essência frenética do amor

Deixa que passe os anos
Que os dias sigam seu curso
Tu não passas, e teu encanto
Esparge a vida e é profundo

TEMPO FELIZ DE ITAPARICA:IVONE SOLL E MIRIAM SALES






RECADINHO DO LEITOR:



Everaldo Oliveira
10:21 (18 minutos atrás)
para mim
Minha Grande Amiga, bom dia!
 
Você é uma força esplendorosa. Um pessoa de muito energia, muita luz..
Que alegria você transmite às pessoas e eis a razão desta constante lembrança.
Estou sempre acessando o seu blog.
Tudo de bom para você. Um feliz dia!
Abraço,
Everaldo

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A INVEJA



"A inveja matou Caim
na porta do botequim...
Dito popular

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.
Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.
Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. 
 Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:
- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:
- Por que? Ao que ela me respondeu:
 – Porque o resto da turma tirou nota um.
 Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
Fonte:Jornal A Tarde

                                       Mãe Stella de Oxossi



Com este patuá você vai se proteger de pessoas invejosas e suas influências maléficas.

Confeccione um saquinho de tecido de qualquer cor, exceto a cor preta.

Corte 9 pontas de espada-de-são-jorge (apenas a pontinha da folhagem) e coloque-as dentro do saquinho, fechando-o em seguida.

Carregue o saquinho sempre com você, na bolsa, carteira, bolso ou porta-luvas do carro. Pode também ser pendurado em algum lugar da casa ou atrás da porta.



NOTÍCIAS DA BAHIA




           ENCONTRO DE CULTURA NA BAHIA
Realizou-se,no dia 19/11/11 ,sábado passado o Encontro de Cultura na Bahia,idealizado pelo PCdo B.
Neste  evento, discutiu-se não apenas o financiamento  dos projetos culturais,tema recorrente   nesses debates,mas,também,a relação entre cultura e educação,a  inclusão social e o respeito por todas as artes,inclusive,as populares.
Presentes todos os interessados – escritores, gestores, músicos,produtores culturais,secretários de Educação e Cultura dos municípios,artistas,além do Secretário de Cultura da Bahia,Albino Rubim,os deputados Alice Portugal e Javier Alfaya .


Houve um debate produtivo ,embora,como eu disse uma vez ao então Ministro Juca Ferreira,a literatura continua sendo a “prima pobre” das artes ,cuja fatia maior de atenção e financiamento vai para a música,algumas de péssima qualidade e o Carnaval.
Quando foi citado o caso do “Cirque de Soleil”,lindíssimo, embora ,para poucos, pois, apesar de receber financiamento público cobra ingressos que não cabem no bolso da população,eu direcionei o assunto para o caso muito parecido  das Bienais,cujo ingresso deveria ser  0800 já que,também,mama nas tetas do Governo.
As políticas de Estado para a Cultura deveriam ser permanentes e independer do governante de plantão e,principalmente dos “amigos do rei”,as inúmeras igrejinhas,capelas e oragos que se abrigam na Bahia,quase transformada numa Passárgada literária.

Para os autores e artistas é bom saber que existe um portal “Catarse” que  dá as dicas para financiamentos culturais.
Um bom exemplo é o Prefeitura de Camaçari que criou um fundo de cultura municipal  e lança editais  a cada seis meses.



Haverá segundo o Secretário Rubim,uma renovação no Conselho de Cultura que passará a ter 30 membros titulares e 30 suplentes  escolhidos não apenas entre as elites ,mas,aberto a todos os militantes nas áreas culturais. Será votada em Brasília a Lei Orgânica da  Cultura,importantíssima  para ser deixada á mercê de correntes políticas,portanto seria desejável,segundo a Deputada , a presença,   no Congresso, de pessoas ligadas á área para pressionar   os deputados contrários ás mudanças.
O povo nas ruas,principalmente quando se descortina uma eleição,no horizonte,é de extrema importância para que se obtenham ganhos e mudanças necessárias  para tornar o Brasil uma potência,também na Educação.
Nosso país não pode ser mais um país de tolos!

domingo, 20 de novembro de 2011

Contos e Causos: NOTÍCIAS DA FLIPORTO,2011

Contos e Causos: NOTÍCIAS DA FLIPORTO,2011: NOTÍCIAS DA FLIPORTO “CIDADE DAS LETRAS” MAIS DE MIL PALAVRAS ESCRITAS SOBRE A FESTA. VALE CADA UMA AQUI EXPRIMIDA. Minha vontade de conh...