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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A INVEJA



"A inveja matou Caim
na porta do botequim...
Dito popular

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.
Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.
Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. 
 Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:
- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:
- Por que? Ao que ela me respondeu:
 – Porque o resto da turma tirou nota um.
 Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
Fonte:Jornal A Tarde

                                       Mãe Stella de Oxossi



Com este patuá você vai se proteger de pessoas invejosas e suas influências maléficas.

Confeccione um saquinho de tecido de qualquer cor, exceto a cor preta.

Corte 9 pontas de espada-de-são-jorge (apenas a pontinha da folhagem) e coloque-as dentro do saquinho, fechando-o em seguida.

Carregue o saquinho sempre com você, na bolsa, carteira, bolso ou porta-luvas do carro. Pode também ser pendurado em algum lugar da casa ou atrás da porta.



NOTÍCIAS DA BAHIA




           ENCONTRO DE CULTURA NA BAHIA
Realizou-se,no dia 19/11/11 ,sábado passado o Encontro de Cultura na Bahia,idealizado pelo PCdo B.
Neste  evento, discutiu-se não apenas o financiamento  dos projetos culturais,tema recorrente   nesses debates,mas,também,a relação entre cultura e educação,a  inclusão social e o respeito por todas as artes,inclusive,as populares.
Presentes todos os interessados – escritores, gestores, músicos,produtores culturais,secretários de Educação e Cultura dos municípios,artistas,além do Secretário de Cultura da Bahia,Albino Rubim,os deputados Alice Portugal e Javier Alfaya .


Houve um debate produtivo ,embora,como eu disse uma vez ao então Ministro Juca Ferreira,a literatura continua sendo a “prima pobre” das artes ,cuja fatia maior de atenção e financiamento vai para a música,algumas de péssima qualidade e o Carnaval.
Quando foi citado o caso do “Cirque de Soleil”,lindíssimo, embora ,para poucos, pois, apesar de receber financiamento público cobra ingressos que não cabem no bolso da população,eu direcionei o assunto para o caso muito parecido  das Bienais,cujo ingresso deveria ser  0800 já que,também,mama nas tetas do Governo.
As políticas de Estado para a Cultura deveriam ser permanentes e independer do governante de plantão e,principalmente dos “amigos do rei”,as inúmeras igrejinhas,capelas e oragos que se abrigam na Bahia,quase transformada numa Passárgada literária.

Para os autores e artistas é bom saber que existe um portal “Catarse” que  dá as dicas para financiamentos culturais.
Um bom exemplo é o Prefeitura de Camaçari que criou um fundo de cultura municipal  e lança editais  a cada seis meses.



Haverá segundo o Secretário Rubim,uma renovação no Conselho de Cultura que passará a ter 30 membros titulares e 30 suplentes  escolhidos não apenas entre as elites ,mas,aberto a todos os militantes nas áreas culturais. Será votada em Brasília a Lei Orgânica da  Cultura,importantíssima  para ser deixada á mercê de correntes políticas,portanto seria desejável,segundo a Deputada , a presença,   no Congresso, de pessoas ligadas á área para pressionar   os deputados contrários ás mudanças.
O povo nas ruas,principalmente quando se descortina uma eleição,no horizonte,é de extrema importância para que se obtenham ganhos e mudanças necessárias  para tornar o Brasil uma potência,também na Educação.
Nosso país não pode ser mais um país de tolos!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

BAHIA DE TODOS OS INCENSOS


Hoje é sexta – feira, dia de todo bom baiano incensar a casa.
Além do mais,é sexta – feira do Bonfim,festa de Oxalá,nosso santo maior,a secular igreja ,lotada,fiéis de branco,almas em adoração,pedindo,principalmente paz.
O costume de incensar as casas  é antigo e não nasceu aqui.A origem da defumação vem das plantas votivas dedicadas aos deuses pedindo proteção contra as adversidades.Certos perfumes fazem fugir as forças do mal.As bruxas da Idade Média,na Europa, os vampiros ou nossos sacis,caaporas e curupiras detestam o cheiro do alho,cravo ou alecrim.A fumaça da palha benta,no Domingo de Ramos,evita tempestade e  faz parar a chuva.Queimar essências,raspas de raízes,folhas,sementes e plantas odoríferas,como o manjericão,era parte fundamental nas oferendas aos deuses para angariar bons fluidos e afastar o mal.
A prática de incensar a casa ,tão comum no Nordeste,teve origem na”fumigatia”  oblacional romana,como uma forma de deixar a maldade e a adversidade extra-muros da casa do crente.A igreja católica também usa com freqüência o incenso nas cerimônias religiosas,sobretudo para cercar os mortos insepultos”Deinde incenset corpus defuncti,et  tumulum”.
Para inveja,olhados,quebrantos e malefícios diversos,as velhas feiticeiras aplicam no “prejudicado” defumadores de cascas de alhos,raspas de chifre e palhinhas e lixo encontradas nas encruzilhadas,um porrete para qualquer trama diabólica sobrenatural.Também existem defumadores de cupim,pena de galinha preta;de outra cor,não serve.
Acompanha a oração:
Nossa Senhora defumou o seu bento filho para cheirar;eu defumo você para sarar.Repete-se três vezes,pois o número três é o número do mistério;esta oração portuguesa é antiqüíssima,perde-se na noite dos tempos.

Em Salvador,chova ou faça sol,nos pontos de ônibus,nas ruas do centro,na estação ferroviária,sempre tem alguém vendendo defumador,geralmente um velho de barba crescida e muito saber.O incenso e o defumador nunca se misturam;cada qual no seu cada qual,ensina m as mulheres de saia,senhoras  dos preceitos e segredos.O cheiro do defumador nem sempre é bom;já o olor do incenso agrada a todos,nos enche de paz e de alegria.Antigamente,sábado era dia de incensar a casa.Sempre quando os sinos tocavam as ave-marias.O cheiro gostoso do benjoim,da alfazema,da mirra,do alecrim, do capim santo subia até o Trono do Altissimo,enchendo o céu de odores aromáticos.Incensava-se o nicho dos santos,o guarda-vestido,os quartos,as salas trazendo consigo um cheiro de santidade.
Como um dos Reis Magos trouxe incenso para o menino,nos tempos de outrora toda criança era recebida com incenso;a vizinhança sabia que tinha chorinho novo no bairro;quem teria coragem de pegar uma criança novinha para vestir sem antes incensar as próprias mãos,a roupinha,a fralda,para ficar tudo bem cheirosinho?O berço cheirava a incenso e alfazema.
Tinha que saber onde comprar o incenso para evitar misturas ou falsificação,pois,gente não é gente.O homem das ervas,que vendia folhas,ele mesmo,criatura de preceito,era o mais indicado,profundo conhecedor de folhas e remédios.
Havia incenso nas igrejas,nas novenas e trezenas,no mês de Maria,nas festas caseiras,no romper da Aleluia.para afugentar o demônio,as ruas cheiravam a pureza,o ar era leve.
Mas,nem só para alegrias ou chegadas usava-se o incenso;também para tristezas e partidas.Também estava nos velórios e sentinelas;quando o defunto saía para sua derradeira morada,depois de tudo varrido e o cisco jogado porta a fora,atiçava-se as brasas do caco,colocava-se uma mistura de incenso e alfazema e purificava-se o ambiente.Depois,jogava-se as brasas na rua para confundir o morto.
O incenso é de Deus.Trás paz e alegria.Seu cheiro gostoso deixa a casa  com  um ar de suavidade e tranqüilidade.

*Este e outros textos sobre a Bahia você encontra no livro "A Bahia de Outrora",( o livro de autor baiano mais vendido em2010) à venda neste espaço.