segunda-feira, 30 de agosto de 2010
CINEMA OLYMPIA
O CINEMA POEIRA MAIS FAMOSO DE Salvador,relembrado na música de Gil,não foi do meu tempo.Sei que “tinha pulgas nas gerais”,muito barulho,e,era freqüentado por pessoas de classes mais baixas e de má reputação.Gente pobre,pé-rapados,sem preconceito,nem belos trajes.Olympia era o cinema maldito.Ficava na Baixa do Sapateiro,eu alcancei o que lhe sucedeu,o Cinema Aliança,mas,nunca o freqüentei,acostumada que era,aos cinemas do Centro.
As matinês do Olympia começavam ás 12.30 ou 13hs,devido á quantidade de fitas que eram exibidas.À porta ficavam os toscos cartazes pintados á mão,anunciando o número de partes da película:o jornal,uma parte;a comedia,duas partes,curtas;depois,dois ou três filmes de cinco a seis partes e,por fim as séries de dois episódios.Tom Mix,Buck Jones,reinavam soberanos,faziam coisas indescritíveis;eram os reis do “ZÉ BRUNO”,sinônimo da mentira.Quem sabe lá a origem da expressão?Só sei que,a cada culhuda(mentira difícil de engolir) a galera maltrapilha gritava:Zé Bruno,Zé Bruno...A barulheira que vinha de dentro chegava a incomodar quem passava lá fora,era uma gritaria infernal.A especialidade da casa era filmes de faroeste e mistério;todos torciam,aos berros e pulos,pela mocinha ou pelo galã.Os velhos bem velhos que conheci recordavam as emoções sentidas nas matinês,onde Douglas Fairbanks Jr.,Eddie Polo,Marie Walcamp,Harry Carey e a inesquecível “femme fatale””,Theda Bara e a ingenua Mary Pickford,além da irreverente e sensual Mae West,reinavam absolutos,sob a gritalhada da meninada em transe.Os lugares eram disputados.Os homens se aboletavam na geral-quero a geral- que podia ser um poleiro no último andar das varandas batizadas de frisas,camarotes,balcões e galerias,quando o cinema virava teatro,o que acontecia sempre.A geral mais barata era atrás da tela(!)onde se via tudo pelo avesso.Contam os antigos que,o Olympia tinha sessões picnic;quem freqüentava levava sua merenda,pois as sessões eram longa.Os serventes que faziam a limpeza encontravam papéis de “queimados(balas),cascas de laranjas,melancia,espinhas de peixe frito,pedaços de pão,vômitos de crianças e pinguços,capucos de milho,tabocas de sorvete,bagaços de cana e,-pasmem-espartilhos e calcinhas de senhoras,naquele tempo,chamadas calçolas.Voltando á Gil:”sustos,emboladas,espartilhos,gatilhos...
Tempo de gente feliz.
Os cinemas da Baixa do Sapateiro,hoje,ou se transformaram em cinemas pornô,freqüentados por homens de baixa classe,mocinhos ainda não inaugurados e velhotes aposentados ou em templos da Igreja Universal.Não sei qual dos dois destinos é o pior!
Texto do livro "A Bahia de Outrora"
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
ANTIGOS CARNAVAIS!
Eram muito gostosos os carnavais da minha infância!
Embora morássemos numa cidade do interior,Dezembro chegando,tomávamos o trem para Salvador,onde moravam meus avós maternos,e,enquanto a Mariafumaça vencia os trilhos com sua eterna cantilena “café com pão bolacha não”,eu antegozava os prazeres que me esperavam na Capital,e,principalmente.o carnaval,para mim,a melhor de todas as festas,suplantando até o Natal.
Meu pai,festeiro como ninguém e um pé de valsa que faria inveja a Juscelino,tratava logo de alugar um carro,uma baratinha sem capota,para nos levar ao corso.Também tratava do aluguel das cadeiras na Rua Chile,ponto estratégico onde passava todos os foliões e os carros alegóricos,fazendo o Corso.Dodô e Osmar ainda não tinham inventado o Trio Elétrico,que mudou a face do carnaval da Bahia.
Minha mãe,que nunca foi festeira,mas,nos acompanhava,tratava das minhas fantasias;uma para cada dia,o Domingo,começo da festa,a Segunda Feira Gorda da Ribeira e a Terça,fim do tríduo momesco.Sem direito á prorrogação.
Um dia eu saía de cigana,aproveitando as longas e grossas tranças que exibia na época;estamos falando dos anos quarenta e eu tinha sete anos.(1949);na segunda feira,virava odalisca,cheia de véus de gaze transparentes,que meu avô achava uma indecência;na terça,me vestia de baiana,á lá Carmem Miranda;confetes e serpentinas,não faltavam.Bem como as lança-perfumes Rhodo e Rodouro,sem elas para borrifar nas pessoas,(e só para isto,ninguém falava em cheirinho da loló)o carnaval perdia a graça.
Centenas de foliões mascarados,os( “caretas” )ou fantasiados ,desfilavam sua alegria,entre a Avenida Sete até a Praça da Sé.Quase não havia carnaval nos bairros.A mudança do Garcia,cheia de alegria e irreverência,temida pelos políticos,dura até hoje;já o “jegue de cueca e a jega de calçola”,da Massaranduba,bairro popular,este acabou.Bem como o Clube Carnavalesco “Rosa do Adro”,que também se foi.
Havia blocos como “os Filhos de Gandhi”,que já despontavam e o violento “Apaches do Tororó”,cujos membros invariavelmente acabavam no xilindró,para gáudio da população,que se deslocava para as portas das Delegacias,na quarta-feira de cinzas,para ver a saída dos prisioneiros fantasiados e rir da cara de todos.
Porém, belos eram os clubes carnavalescos com a majestade dos seus carros alegóricos,cheios de mulheres bonitas e muita música,cor e alegria.Cada um,queria suplantar o outro em riqueza e pujança.Havia o “Fantoches da Euterpe”,o “Cruz Vermelha”,o” Inocentes em Progresso”,com um carro só de crianças.
A discriminação velada ainda persistia.Os negros só podiam festejar na Baixa dos Sapateiros,Liberdade,onde nasceu o Ilê Aiyê,e na periferia.
Isto durou até 1950,quando o engenheiro mecânico Osmar Macedo e o radiotécnico Dodô Nascimento decidiram fazer o seu carnaval tocando suas músicas em cima de um Fordeco 1929,criando assim o “pau elétrico, avô dos trios elétricos de hoje.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O QUE A BAHIA TEM DE BOM: ITAPOAN!
Passar uma tarde em Itapoan
falar de amor em Itapoan...
(canção de Vinicius)
Todos cantam sua terra também vou cantar a minha,disseram Caymmi e Vinicius,esse filho adotivo,morador do Principado de Itapoan,que também pode ser escrito Itapuã,que a gente não briga.
Quem teria coragem de caçar briga nesse lugar tão lindo,sol ardente,brisa fresca,coqueirais ao vento,belas mulheres,um lugar onde a própria Sereia escolheu para morar e,nas noites de lua cheia,sentada nas pedras penteia seus louros cabelos,enlouquecendo os homens?
Bairro privilegiado,elevado por Vinicius a categoria de “principado livre e autônomo de Itapoan,cujos nomes de ruas são pura poesia:Rua do Amanhcer,do Gato Arisco,do Lagarto Azul,da Brisa,do Irmão Sol – Irmã Lua,do Sereno da Madrugada.
Para amanhecer feliz basta morar numa rua assim que lembra contos de fadas.
Antiga aldeia de humildes pescadores,no final dos anos sessenta,Itapoan transformou-se;afinal,estava num ponto adequado para ligar o centro mais antigo de Salvador com a emergente zona industrial da Região Metropolitana.
Houve um “boom” imobiliário,construção de inúmeros villages e condomínios de luxo,convivendo na santa paz de Yemanjá com bairros humildes,como Nova Brasília e Alto do Coqueirinho.
Esse “coqueiro que dá coco” começou então a dar dinheiro em pencas,atraindo muita gente rica e de classe média alta,fascinados pela beleza e tranqüilidade do lugar.
Itapoan significa “pedra de ponta” ou “cabo de pedra” e não pedra que apita,como se pensava antes.
Seu nome vem do tupi,formado por ita(pedra) e apuã (ponta ou cabo).Itapoan tem sim,muitas pedras,por isso existe lá um farol.
Seus antigos moradores eram os índios tupinambás,mariscadores e pescadores.
Sua principal atração é a Lagoa do Abaeté,”uma lagoa escura,arrodeada de areia branca”,famosa pelas lavadeiras,conforme conto n’A Bahia de Outrora.
O fato é que quer se escreva Itapoan ou Itapuã,o lugar encanta pela sua beleza,seus hotéis luxuosos e pela gastronomia.
Apareça,meu rei,arme uma rede embaixo dos coqueirais,beba uma água de coco,respire a brisa e diga,se depois você não repete a exaltação eloqüente de Pero Vaz da Caminha,dizendo a seu Rei:
-Nesta terra tudo dá.
PALAVRA DO LEITOR:
Olá, com suas palavras que são pura poesia despertou em mim, lembranças da minha adolescência, quando passava o dia espreguiçada na areia tentando virar uma verdadeira morena jambo rss! E tambem fiquei com vontade de ler o seu livro!
abs joanice
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