sexta-feira, 10 de junho de 2011

CASAMENTO CAIPIRA




CASAMENTO CAIPIRA
Autora: Ivone Alves SOL

NARRADOR
                      Gente a esperá
                      Em noite de São Jão,
                      Noiva no artá
                      Só farta chegar o Jão!

NOIVA:     
                      Ai meu Santo Antonio,
                      Quê do meu Jão?
                      Será que vai deixar eu
                      Dispois de tanta produção!?

NARRADOR
                      Jão é cabra de palavra,
                      Bem que pensou desisti...
                      Mas se assim o fizesse,
                      Tinha que se ver com seu Didi!

NOIVO        
                      Oxente, minha Fulo de Maracujá!
                      Ainda ta aí a me esperá, tá?
                      Magina se eu ia deixá ocê,
                      Prantada nesse artar!

NOIVA:            
                       Eu sei meu beija-flor,
                       Que a mim tu tem amô!

NOIVO:            
                       Vamos padre!
                       Case nois nesse momento...
                       Não tem nenhum impedimento,
                       Prêsse nosso casamento.

NARRADOR:        
                       O padre já cansado,
                       Não quer mais perdê tempo!
                       Chama os dois pra frente,
                       Prumode fazêo juramento.


PADRE:            
                      Então venha para cá
                      João Lutero Jatobá,
                      Trazendo consigo a sinhá
                      Maria Fulô Maracujá.

NARRADOR:      
                      Os dois vão pro artar
                      Cheios de felicidade,
                      Quando de repente:
                      Aparece uma beldade!

AMANTE:      
                      Ô Jão Lutero sei lá de que!
                      Acha que vai se casá é?!
                      Ocê imbuxa eu e vai casá,
                      Cum outra muié?

NOIVO:         
                      Mai eu nunca vi ocê,
                      Nem na missa nem na carniça.
                      Esse guri não é meu,
                      Essa muié uma bisca!

NOIVA:            
                      Ah!!! Jão Lutero!
                      Ocê vai ter que se expricá...!
                      Donde vem essa bisca,
                      Com seu filho a carregá?!

PAI DA NOIVA:  
                       Ah!!! Mai vai mermo!
                       Só que num é a eu nem a ocê.
                       É cum delegado da puliça,
                       Que esse cabra vai se vê!

NARRADOR:      
                       O coração de Jão dispara,
                       Suas pernas treme  toda.
                       Inté que chega uma moça
                       E decidida sorta a fala.

AMIGA DA AMANTE:
                       Ontem mermo eu lhe vi,
                       Sua barriga só tinha banha.
                       Vamo logo de uma vez,
                       Acabe cum essa façanha!
(Amante e noiva brigam até que a noiva arranca a barriga falsa da amante)

DELEGADO:        
                        Parem ou eu atiro! (aponta a arma)

NOIVO:              
                        Eu num te disse minha Fulô,
                        Que só tenho ói pra ocê!
                        Vamo padre, nos case logo,
                        Antes que a comida acabe,
                        E a gente fique sem comê!

NARRADOR:      
                        E assim segue o casório,
                        Noivo e noiva no artá.
                        O padre não se demora,
                        Para não contrariar.
PADRE:            
                       (faz o sinal da cruz e diz:)
                       Pode beijá a noiva!

NOIVA:            
                      Ai! Eu tou tão feliz!!!

NOIVO:            
                       Ah! Minha fulô...
                       Eu não vejo a hora de vê ocê
                       Fazendo meu café,
                       Pegando a toalha prumode  eu me enxugá,
                       Preparando a mesa pra quando eu acordá!
NOIVA:         
                         Oxente! É só pra isso que ocê me quer, é?
NOIVO:            
                          Não! Nóis vai fazer muitos guris, num é?!
                          Sorta o som!!!
Da professora e  poetisa  IVONE SOLL, este que é um dos textos mais lidos no site Recanto das Letras IMG: Busca Google

quarta-feira, 8 de junho de 2011

AUTOR BAIANO TEM LIVRO SELECIONADO PELO PNLL









Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus foi a única iniciativa baiana citada na primeira edição do livro “Texto e História – 2006 a 2010” que reúne atividades relacionadas ao universo do livro e leitura e contém depoimentos de escritores, editores, bibliotecários, agentes culturais, livreiros, dirigentes públicos, acadêmicos e responsáveis por projetos de leitura e do terceiro setor.

O livro é apresentado pelo escritor Afonso Romano de Sant’Anna, Juca Ferreira (ex-Ministro da Cultura), Fernando Haddad (ex-Ministro da Educação) e prefaciado por José Castilho Marques Neto (ex-Secretário Executivo do PNLL). A obra, com 344 páginas, foi editada pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e faz parte de um kit que é distribuído a bibliotecas e entidades ligadas à literatura. No pacote vem um CD com apresentação em Power Point das principais atividades literárias do Brasil, inclusive o concurso de poesias promovido pelo jornalista baiano.
A
A obra serve de eixo para as políticas públicas voltadas para o livro e leitura e resume as principais atividades culturais e literárias que acontecem no país nas modalidades: 1 – democratização do acesso; 2 – fomento à leitura e à formação de mediadores; 3 – valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; e 4 – desenvolvimento da economia do livro.

É neste quarto quesito que o projeto literário idealizado pelo jequieense Valdeck Almeida de Jesus se encaixa. Desde 2005 que o jornalista baiano promove um concurso literário que seleciona e publica textos em livros que são distribuídos a escolas e bibliotecas. “No começo eu pensei em publicar somente poesias de baianos, mas com a divulgação no site do Ministério da Cultura o projeto tomou dimensão internacional e hoje recebo material do mundo todo, principalmente de Portugal, Angola, Europa e Estados Unidos”, explica Valdeck.

Nos cinco anos de existência do concurso patrocinado por Valdeck já foram publicados nove livros com mais de 850 textos de autores brasileiros, argentinos, espanhóis, americanos, moçambicanos, chineses, franceses, britânicos, suecos, suíços, angolanos e portugueses. Na Bahia o destaque foi para os livros do poeta Perinho Santana, de Plataforma, subúrbio ferroviário de Salvador e duas antologias com cerca de 30 poetas-mirins do bairro Calabar. Em 2011 as inscrições estão abertas para crônicas que falem de obras e escritores baianos. Inscrições no site Galinha Pulando





PARABÉNS,VALDECK!

domingo, 5 de junho de 2011

O DONO DA CASA


Jonas não soube me contar direito porque expulsou de modo tão brusco a coitada da Dona Cadoca e seus oito rebentos da sua própria casa.
Senhora exemplar, apesar de um pouco chatinha,em nada influía ou contribuía para tornar sua vida melhor ou pior.Era uma folha em branco,só isso.
A única situação que Jonas define com clareza é a sua alegria ao se ver só,senhor absoluto do seu apartamento e das coisas que ele continha, principalmente a TV onde adorava assistir o futebol nas quartas- feiras enquanto a mulher não dispensava a novela.
Assim que percebeu que estava , enfim só, em vez do enfim,sós,tão agradável de exclamar doze anos antes, deitou-se na rede da varanda e dormiu o sono dos justos, livre do barulho das crianças  e do bulício da casa.
Acordou satisfeito,apanhou um livro e conseguiu fazer a mais deliciosa leitura da sua vida.
Bom,estava escurecendo, hora de pensar no jantar.
Foi fácil encontrar a cozinha que  a pobre Candoca tinha acabado de arrumar quando foi expulsa do paraíso sem que,ao menos,tivesse induzido a degustação do fruto proibido,que,dizem alguns,era uma maçã, mas, eu, particularmente ,não acredito por ser uma fruta muito insossa,ao contrário,por exemplo da manga espada,tão doce e sumarenta.

Bom,voltando á cozinha agora do Jonas,o mesmo, depois cavoucar a geladeira e  os armários  ,separou alguns ovos,uma lata de ervilhas, temperos e um saquinho de arroz.
-Farei uma bela comida,pensou ele.Ervilha com ovos e arroz bem temperado.
Enfileirados os ingredientes descobriu que faltava o sal.
-Diachos,resmungou,onde essa mulher guardava o raio do sal!?
Descobriu, enfim, o saleiro, porém, vazio e lavado.Provavelmente a esposa ou ex iria comprar um pacote no armazém próximo,agora fechado.
Daí lembrou-se que as mulheres adoravam sair de pires na mão pedindo ás vizinhas as coisas que lhes faltava.
Prontamente,bateu na porta do apartamento ao lado   e perguntou se podiam lhe emprestar um pouco de sal; devolveria assim que comprasse o seu.
Os vizinhos disseram que ficariam ofendidos se ele  fizesse isto e lhe deram um pacote fechado.
-Olhe,não esquente,”seu” Jonas,a cesta básica que a empresa do meu marido nos dá vem com dois pacotes de sal,uma estupidez!
Agradeceu e voltou ao seu ofício de cozinheiro.
Mas, em vez da ervilha com ovos,decidiu preparar um omelete,tão simples e prático de fazer.
Sua dúvida era como as mulheres conseguiam fazê-la tão redondinha e dourada,apetitosa para os olhos e o paladar.
Arrumou uma vasilha funda,quebrou os ovos com casca e tudo,misturou as ervilhas,os tomates,colocou sal,pimenta e canela em pó e amassou tudo com o pilãozinho do almofariz.
Agora,estava na hora crucial: como arredondar o ome lete.Despejou a massa num prato raso, apanhou a tampa da panela e tentou ,com esta,dar forma ao omelete.
Não conseguindo, desde que tudo se esparramava pelas bordas,resolveu fritar assim mesmo, já que não era uma obra de arte e,sim,uma refeição.
Neste momento pintou uma leve saudade da mulher que logo passou e ele saiu á cata do óleo de cozinha,pois tinha uma vaga lembrança que era frito.
Encontrou mais fácil o azeite doce e resolveu brindar-se com o que havia de melhor.
Gastar o azeite tão caro que era reservado apenas ao bacalhau do domingo,usando para fritar omelete lhe parecia um grito de liberdade.
Derramou parte do azeite na frigideira e quando aqueceu jogou a mistura lá dentro.
Pois a mistura uma vez no fogo,ensandeceu-se,começou a bufar e pipocar como louca ,uma casca do ovo,batendo justo no seu olho ,deixando-o provisoriamente cego.
Blasfemou,disse palavrões cabeludos que não costumavam freqüentar aquela cozinha, a mistura queimada lhe deu repugnância ,jogou tudo na lixeira e saiu para jantar.
Macho bem alimentado, dormiu o sono dos justos,de manhã tomou café no escritório, almoçou num restaurante a quilo e começou a pensar no jantar.Fritaria uns bifes.
Em casa,atrapalhou-se com as panelas; não sabia para que as mulheres precisavam de tantas e de formas diferentes.
Apanhou uma panela funda,encheu de óleo e colocou os bifes que comprou, já cortados, no supermercado.
Não se lembrou de lavá-los e temperá-los.Acendeu uma boca do fogão.
Eram sete da noite e meia hora depois entrou na cozinha para ver o resultado do seu trabalho.Sentia-se quase um “chief”,quem sabe um Adriá.
Decepção profunda! Encontrou uma coisa escura e malcheirosa que fervia soltando uma terrível espuma esverdeada.
Assustado, apagou o gás, certo de que aquilo deveria ser uma das bocas do inferno e a qualquer momento o diabo sairia dali empunhando um tridente.
Alucinado pela raiva e morto de fome correu para a casa da sogra atrás da mulher.
Foi recebido com impropérios e levou a porta na cara.
A mulher não voltou.


PALAVRA DO LEITOR:




"Miriam querida
O mais importante do causo é o humor com o qual você o tempera. Que habilidade, mulher!
Beijos,
Morgana Gazel",romancista baiana