TEXTO ENVIADO POR ARAKÉN VAZ GALVÃO,ESCRITOR E ATIVISTA LITERÁRIO
ARAKÉN VAZ GALVÃO
O Camões-Instituto da Cooperação e da Língua vai celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa com uma programação online disponibilizada no seu canal no YouTube a 05 de maio a partir das 12h. (8h. no Brasil) O evento, realizado em parceria com a CPLP, UNESCO e ONU News, inclui testemunhos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro português, António Costa, do chefe de estado de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, do secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e de Sampaio da Nóvoa, representante de Portugal na UNESCO, informa. Haverá ainda testemunhos de escritores, desportistas, cientistas, artistas entre outras individualidades, gravados em vídeo, acerca da dimensáo pluricêntrica da Língua Portuguesa. Manuel Alegre, José Ramos-Horta, Mia Couto, Germano Almeida, Maria Manuel Mota, Adriana Calcanhotto, Fernando Pimenta, Flora Gomes, Carminho, Milton Hatoum e o Cardeal José Tolentino Mendonça são algumas das personalidades que iráo falar sobre a importància mundial da língua portuguesa, em todos os nívies e setores. A componente cultural acontece através de um concerto com os cantores Aline Frazão (Angola), Ivan Lins (Brasil), Teófilo Chantre (Cabo Verde), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Stewart Sukuma (Moçambique), João Gil (Portugal), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe) e Zé Camarada (Timor-Leste) e vai encerrar a transmissão do evento, que permanecerá disponível e de acesso público no YouTube.
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Araken Passos Vaz Galvão Sampaio, Araken Vaz, Ou, em minha terra, Galvão. Valença, Bahia, Brasil.
ANTONIO CEDRAZ UM ESCRITOR,EDITOR E LITERATO QUE HONROU A BAHIA
quarta-feira, 22 de abril de 2020
PORQUE A BAHIA É UM ESTADO DE ESPÍRITO!
VIVER É RECORDAR!
A VIDA É UMA COLCHA DE RETALHOS
Nossa vida é composta de pequenas
lembranças e parece uma colcha de retalho constituída de pequenos pedaços com
coloridos diversos,uns alegres,de cores vivas,outros cinzentos e outros negros
como a noite das nossas desesperanças.
A nossa vida toda, do nascimento á
morte ,está contida nessa colcha de retalhos onde cabe tudo que vivemos,amamos
ou sofremos neste vale de lágrimas por
onde passamos.
Sei que estou um pouco melancólica
,hoje, e faz sentido,desde quando acordamos pensando na dor alheia e centenas
de caixões aparecem nas fotos de jornais.
A foto que postei agora,embora
recém tirada conduz meus pensamentos ao ano de 1947 quando eu tinha cinco anos de idade e
ainda não conhecia a dor.Lembrei-me de uma tela ,”A Barca De Gleyre” que
retrata um barco chegando,enfim,ao cais trazendo á proa um velho com o braço
pendido sobre uma lira e sabemos que ele nos representa e representa o estado
em que chegamos no cais final com as velas rotas com muitas ilusões perdidas.
Puxa,sou dada a digressões ,vamos
voltar ao assunto.
Esta foto tirada na entrada do Hospital Português pertence a uma escultura de uma santa,talvez a Virgem
Maria posta logo á direita de quem entra.Há outras ,mas,esta ficou na minha
memória para sempre e me faz voltar á infância quando meu pai,ajoelhado e
chorando,agarrado a mim num abraço de afogado ,teve que tomar a pior e mais dolorosa decisão
da sua vida.
Num daqueles quartos estava minha
mãe que tinha acabado de dar á luz a meu irmãozinho ,depois de horas de
sofrimento e uma placenta prévia.Isto,nos aos 40 seria morte certa.Graças a um excelente médico ,Dr.Uzeda Moreno minha mãe
resistiu ,mas,o neném que nasceu muito grande e gordo de uma mulher magrinha que media 1,48,estava
muito difícil de sobreviver.
A escolha de meu pai foi pela vida
da minha mãe.
E eu não sei como seria a minha
vida se a escolha fosse outra.
Considerando o que contei eu me
pergunto o porque de lembrar de tudo isso ,eu,que hoje ,ás vezes nem lembro o
que aconteceu ontem?Se me esqueço dos nomes das pessoas e nunca me lembro das caras porque , 73 anos depois ,ainda me
lembro do nome e das feições do médico
que salvou a vida dela?
TUDO
começou com uma ameaça de naufrágio e uma promessa. Sacudido por uma tempestade
e á beira de um naufrágio,o Capitão Teodósio Rodrigues de Farias invocou o Sr.
do Bonfim e prometeu construir uma Igreja,se fosse salvo.Não deu outra,pois,o
santo não falha.
Chegando
são e salvo á Bahia, o Capitão cumpriu a palavra; mandou fazer uma imagem de
1.06cm, em cedro, réplica perfeita da original em Setúbal e pediu autorização á
Santa Sé para construir uma igreja, numa colina na Cidade Baixa, para onde
levou a imagem, que estava na Igreja da Penha, na Ribeira, bairro próximo.
Começou
assim a devoção que reina soberana desde 1745 até os nossos dias. É a maior
festa popular da Bahia;estende-se quase todo o mês de janeiro com suas
novenas,ternos,missas campais e a Lavagem das escadarias da Igreja,numa
quinta-feira do mês de Janeiro,geralmente, a terceira.
A
tradicional Lavagem deve sua criação ao preconceito reinante nesta cidade no
inicio do século XX,quando a Igreja Católica e a elite branca não permitia o culto
dos negros e até os perseguia,sem dó, nem piedade.
Acontece
que, no culto afro, Sr. do Bonfim é Oxalá, o maior de todos os orixás e
precisava ser festejado, com a lavagem do seu templo na Colina, segundo o
ritual, com água perfumada de flores brancas e alfazema: eram as águas de
Oxalá. O clamor pela proibição foi tamanho que a Igreja cedeu um pouco;”o povo
de santo” lavaria o adro e as escadarias,enquanto o templo permaneceria
fechado.
O
cortejo sai do Comercio, geralmente no meio da manhã, da Igreja de N. Sra. da
Conceição da Praia e um mundo de gente, moradores, turistas, adeptos ou não da
religião africana, políticos que querem “sair bem na foto”, milhares de pessoas
vestidas de branco, cavaleiros, carroças enfeitadas, o afoxé “Filhos de
Ghandi”, esparzindo perfume de alfazema no meio da multidão, jornalistas daqui
e d’além, percorre os 8 km e sobe a colina para assistir á festa.
Gente de todo lugar.”eu vim de Ilha de
Maré,minha senhora.prá fazer samba na Lavagem do Bonfim”,cantava
Batatinha,sambista de escol.Cerca de 500 baianas vestidas de branco,com seus
trajes engomados e rendados cheirando a patchulí,distribuem banho de cheiro aos
passantes,para tirar as ziquiziras e afastar o mau-olhado.
Fitinhas
de Sr. Bonfim, chamadas “medidas” são distribuídas ás mancheias para todos que
têm um sonho secreto e esperam concretizá-lo; deve-se dar três nozinhos
enquanto se faz três pedidos e deixar no pulso, sem nunca tirar; quando a
fitinha rasgar o pedido será atendido, tão certo como dois e dois são quatro. A
“medida” tem exatos 63 cm,distancia da chaga do peito de Cristo até Sua mão
esquerda.Coloridas e belas trazem felicidade.
Por
todo o Largo e subindo a Colina barracas de comida e bebida distraem e alimentam os passantes; é o acarajé
dourado, o oloroso abará, o efó, o vatapá, ouro líquido, o caruru perfumado, é
o mistério, a cor e o cheiro desta cidade mágica cheia de ritmos e axé, onde é
impossível ser infeliz.
Durante
todo o trajeto, canta-se com emoção, o Hino ao Senhor do Bonfim, música de
Péthion de Villar e letra do poeta Arthur de Sales, da qual tenho a honra de
ser sobrinha-neta.
Hoje
estarei lá, de branco, reverenciando o maior orixá da Bahia, fazendo meus
pedidos e tomando banho de cheiro, para limpinha, levinha, com a alma perfumada
e feliz, seguir o meu destino. Como todos!
“Andá
com fé eu vou, qui a fé nun custuma faia...”
“Desta
Sagrada Colina
Mansão
da Misericórdia
Dá-nos
a graça divina
Da
justiça e da concórdia”.
Que
as bênçãos de Oxalá tragam paz ao mundo!
OHINO AO SENHOR DO BONFIM
Com versos do poeta baiano Arthur de Salles e música de Pethion de Villar