terça-feira, 30 de agosto de 2011

A VIDA NAQUELES TEMPOS!...















 A VIDA NAQUELES TEMPOS!...


Quem casa quer casa,mas,vai morar em apartamento.Não na Bahia de antes da Segunda Guerra.Havia casas de todos os tamanhos para todos os bolsos.
Família de classe média   recusava-se a morar num primeiro andar em cima de casa comercial,fosse farmácia,armazém ou padaria;não era bem visto e o chefe da família daria nó em pingo d’água prá não submeter sua gente   a esse vexame
.A pobreza remediada vivia em pequenas moradias com um jardinzinho na frente,onde não faltavam palmeiras e pés de buganvília ou,roseiras carregadas de flores brancas e olorosas.Ao fundo,um pequeno quintal com mangueiras plantadas onde se colocava a rede para a sesta do dono da casa.
Não raro,o banheiro era construído lá também,fora do corpo da casa,nem sempre azulejado,pois,ninguém ligava para luxos naqueles tempos  onde banheiro era para se banhar e para as necessidades vergonhosas do ser humano.
Havia um vaso(quando havia,a maioria das vezes era um buraco no chão,uma espécie de fossa,coberta com um tampo de madeira).Papel higiênico era luxo inexistente,a família servia-se de  folhas de árvores ou papel de jornal:
Jingobel,jingobel
Acabou papel
Não faz mal, não faz mal
Limpa com jornal.
O banheiro podia ser  precário,mas,toda casinha que se prezasse,tinha que ter sala de visitas,com sofás e poltronas,uma mesinha de centro com jarro de flores naturais cortadas cedo no jardim ou quintal,tapetes e cortinas,além da escarradeira e do porta chapéu.Todos os homens andavam de chapéu e algumas mulheres também.Crime de lesa majestade era um cidadão entrar numa casa de família com um chapéu na cabeça;era muita desconsideração com o chefe da família.Conheci um velho que gritava logo,mau humorado:
-A casa é de  pobre,mas,o telhado não está furado,prá vosmecê entrar aqui sem tirar o chapéu.
As visitas de cerimônia eram recebidas na sala; conversavam , tomavam café ou chá com bolinhos ,ou comiam um doce de calda;podia ser feito com as suculentas goiabas,os dourados cajus ou até da jaca ou de  leite, sempre preparados pela dona da casa;mas,nunca doce de banana,que se dizia era o doce servido nos “castelos”,ou seja casas suspeitas.O refresco de umbu ou cajá acompanhavam os doces.
A sala de jantar era onde a família se reunia entre si ou com os mais  íntimos,”ratos de casa”,como se dizia dos amigos chegados ou aderentes.Tinha uma grande mesa redonda ou quadrada,cadeiras simples ou de espaldar alto,dependendo da posição social  do dono da casa,que invariavelmente se sentava á cabeceira,se a mesa fosse quadrada.Um guarda louça enorme ou guarda comida,cheio de gavetas e portas completava a mobília.Como quase ninguém tinha geladeira,colada á sala e perto da cozinha,ficava a despensa.Lá se guardavam os mantimentos.
A cozinha era o reino da dona da casa e suas filhas  mulheres.O grande fogão á lenha não podia faltar e era o centro das atenções.Havia sempre uma chaleira de água quente sobre ele no fogo sempre aceso,a lenha crepitando ,criando um ar domestico inesquecível.Não esquecer do forno feito de alvenaria,(bem como o fogão,)com a sua enorme boca escancarada onde se assava o pão caseiro e o peru de natal ou das grandes ocasiões.Era uma pobreza limpa,decente,sem móveis luxuosos ou aparadores caros,porém ,não faltava o necessário ao bom convívio,nada mesmo,nem o respeito.
As casas mais simples podiam ter dois ou três  quartos,o do casal,com sua larga cama de madeira maciça e colchão de barriguda,onde eram feitos e nasciam os filhos do casal,nas mãos de uma “aparadeira”, pois médico era luxo para poucos.
Olhando para trás,não sei porque,me parece que as pessoas eram mais felizes.Reinava a disciplina e o respeito.Os filhos,tivessem a idade que tivessem,tomavam a benção aos seus pais e ouviam as singelas,mas,potentes palavras:-Deus te abençoe,meu filho,te proteja e te guarde.
Acho que as pessoas se sentiam mais fortalecidas.

*Este e muitos outros textos sobre a vida na Bahia,antigamente,estão no livro "A Bahia de Outrora",desta autora.

sábado, 20 de agosto de 2011

OLHA EU AQUI!...

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TRABALHO DO PINTOR LUIZ RODRIGUES DA SILVA JR.
ÓLEO SOBRE TELA
CONTATO:
ENCOMENDE O SEU!

A VELHA BAHIA: A ETERNA "MISS" DE OLHOS AZUIS E OUTRAS ESTÓRIAS,,,


A ETERNA MISS DE OLHOS AZUIS
Falar de Martha Rocha não é difícil; fomos contemporâneas.Ela nasceu em 19/09/36 e eu nasci em 1942.
Quando foi eleita Miss Bahia,em 1954 ,eu era uma adolescente de 12 anos,antenada com o mundo.
Maria Martha Heckel Rocha era a sétima filha do casal Álvaro,engenheiro e professor e Hansa,dona de casa.Família patriarcal,de classe média,seguia os costumes da época; eles moravam na Barra,passavam as férias em Mar Grande,na Ilha de Itaparica,mares onde muitas vezes me banhei.Dos irmãos de Martha,lembro do belo Gustavo e de Laura,que Martha dizia ser a  mais  bela do clã,e ,depois casou-se com um big shot da Ford e foi morar nos States.
A vida da bela menina de olhos azuis mudou,quando,Guilherme Simões,sobrinho do todo poderoso Simões Filho,dono do jornal “A Tarde”,convenceu-a  a se candidatar a Miss Bahia.Os pais foram contra. Mas,não proibiram a filha de tomar decisões.Martha chegou ,viu e venceu.Pouco tempo depois aterrissava no Rio,com seus cabelos dourados e um corpo escultural.Miss Brasil, quase Miss Universo,o universo a seus pés.Tinha 18 anos.
Além da beleza, tinha carisma.Um sorriso contagiante.Nos States,desceu do avião como vencedora.Conquistou público e imprensa.Mas,perdeu o cetro;virou vice.Para a semgracice da Miriam Stevenson.Alguém aqui conhece?Sabe quem é?Dizem que Martha perdeu por duas polegadas a mais.Segundo ela,suas medidas nunca foram tomadas.
Por duas polegadas a mais
Passaram a baiana prá trás
Por duas polegadas
E logo nos quadris
Tem dó,tem dó seu juiz...
...reclamava a marchinha de carnaval.

Mas,teve Hollywood aos seus pés e ganhou 30 mil dólares para fazer um comercial da Gessy-Lever.
Martha foi vítima daquilo que torna os baianos incomparáveis: a mestiçagem.Ela tinha sangue de húngaros,suíços,portugueses,espanhóis e negro,naturalmente;todo baiano autentico tem o pé na cozinha;daí a bunda,as polegadas a mais;daí os seios fartos.Daí,a inveja que a prejudicou.Chamava-se Martha Rocha e deixava “morta e roxa” de inveja não só as americanas desbundadas,como algumas baianas,desta terra tão provinciana nos anos 50.Martha era muito “dada”,avançada”,era como falavam as mulheres que queriam os homens que queriam a ela e os homens que queriam a ela e que ela não queria.
Reza uma lenda, que,num baile de carnaval,Martha,ainda desconhecida,quis ir ao baile “Preto e Branco “do Baiano de Tênis,clube tradicional dos ricos de nomes quilométricos desta terra,tão orgulhosos que até parecia terem parido os antepassados;Na Bahia cinquentista, se você era apresentado a alguém,antes de lhe estender a mão,vinha a indefectível pergunta:
-A que família você pertence?Quem não tivesse um nome coroado,dançava.
Pois é,o”Aristocrático”,como era o slogan do Baiano,vetou a Martha.Bola Preta!
Depois quase  eleita Miss Universo,o Baiano preparou um baile digno das mil e uma noites para homenageá-la;A moça que mostrou ao mundo que esse povo de feios,tinha beldades,também.Tudo pronto,convite feito,personalidades presentes,Martha teve, enfim  , a sua vingancinha;não compareceu,nem deu explicações.
Casou-se duas vezes e teve três filhos.Teve muitos altos e baixos na vida,como todos nós;mas,superou tudo,graças á sua força,inclusive um câncer de mama.Hoje,se dedica aos netos e á pintura,sua paixão e fonte de renda.
Termino com a frase de Caymmi:”Eu nunca soube o que era mais belo,se os olhos de Martha ou o mar de Itapoan.”O Mestre sabia das coisas.





             CULINÁRIA DA BAHIA


   
               BEIJU DE COCO COM LEITE
Faça o beiju com tapioca  enxuta.Quando perceber que um lado já está cozido,vire.Cozinhe o outro lado;ponha dentro o coco ralado e feche,dobrando as partes.Deixe ficar no forno para torrar.
Se quiser molinho.
Enrole numa folha de bananeira e dixe amolecer no suor.
Toma o gosto do coco.o,deixe por pouco tempo.








                    Oração a Santo Antonio
Meu glorioso Santo Antonio, com vossa falange bendita,ajudai-me nesta jornada,para que eu possa conseguir(falar o que deseja).Com o vosso cordão de prata que trazeis em vossa cintura,amarrai o que desejo(falar o desejo),até que chegue ás minhas mãos,sem prejuízo para os meus irmãos.Minhas necessidades são muitas,por isso,peço-vos que me guie no caminho a seguir,na vontade de Deus Todo Poderoso.
Se houver alguma amarração em meu caminho desamarrai-a e o mal que nele estiver,que por vós seja amarrado,com a permissão do Pai Supremo,ao vosso cordão de prata.
Meu glorioso Santo Antonio,com a vossa força de rei,ninguém melhor do que vós para com toda a vossa imensa falange ajudar-me a conseguir(falar o desejo).
                                       Amém!
Esta oração deve ser lida por três dias seguidos ao meio-dia a ás seis da tarde, sempre em ponto,diante de uma vela acesa.   E com muita fé!