quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

É SERVIDO,IOIÔ?



O BLOG DE FEVEREIRO/13



                       

Num dos capítulos do meu livro, “A Bahia de outrora”, trato  das mesas e dos ajantarados da Bahia Antiga,onde,geralmente nas noites de sábado ,se reunia a família,sempre numerosa e amigos mais chegados ,para uma refeição.
Casa de baiano sempre tinha portas abertas e mesa posta. A mesa era um local sagrado e comer ,um ato de compartilhamento e amor.
Durante as lautas refeições só se tratava de assuntos alegres; queixas ,falta de saúde,exigências,reclamações  e, principalmente fofocas,que naquele tempo chamava-se maledicência eram vedadas neste templo de gastronomia e  interação.
E,como se arrumava uma mesa “de cerimônia”? Quando vinha jantar um convidado ilustre ou  pouco frequentador da casa?
Quem não tinha “berço”,ou seja,não era nascido em família de posses e tradição,apelava para amigos que conhecessem etiqueta; já o convidado,se estivesse com os mesmos problemas,o aconselhamento era desejável.Ou,era de bom tom espelhar-se na pessoa ao lado e  observar tudo que ela faz.
Um amigo da minha  família, médico recém formado,foi convidado a jantar na casa da noiva,família de tradição  e,ao se sentar á mesa,ficou muito embaraçado com a quantidade e disposição dos talheres e a ordem dos copos e taças;o que lhe faltava em conhecimentos de etiqueta,sobrava em bom senso.Assim,observou a anfitriã,sempre a primeira a servir-se 
 e  copiou todos os seus movimentos.Deu certo,pois,Deus protege os enamorados.
O mais certo é começar usando os talheres mais distantes do prato e indo ,nesta direção até a sobremesa.
A forma civilizada de servir alimentos nos vem da França;serviço refinado,pratos chics e de sabor exótico ,sempre bem acompanhados de vinho e champanhe.
Necessário  cinco talheres para acompanhar as iguarias  ,cuja entrada pode ser  uma sopa,passar para uma lagosta ou camarão á Newburg, como primeiro prato,por exemplo,logo seguido de um filé ao molho de vinho e terminar com uma massa.O importante é não constranger o convidado,deixá-lo á vontade e mais preocupado em estabelecer uma conversação agradável do que com a ordem dos talheres.
Para beber, a ordem é começar pelo copo de água,seguido pelo vinho tinto,depois pelo branco  e pelo champanhe.


                                    ORDEM Á MESA
Quem senta primeiro é a anfitriã que abre a refeição.
A entrada é servida no prato de salada ou de sopa, a depender da escolha do cardápio.
O copo de água já deverá estar cheio quando os convidados se sentarem. O guardanapo deverá ser aberto e posto no colo.O talher menor é usado para a entrada.
 O meio fica a taça para o vinho branco.Um prato de peixe exige um talher especial;a faca não tem serra.

A taça para o vinho tinto,maior para favorecer a oxigenação,fica á esquerda.
Uma controvérsia: deve-se pegar o molho que fica no prato, usando o pão? Os franceses fazem e consideram um crime de lesa  – gastronomia deixar o molho,tão suculento,no prato.
Nunca cruze os talheres (como antigamente);deixe-os descansando um ao lado do outro,no prato.
E,ai vem ela,a rainha das refeições,a sobremesa;seria uma gafe não comê-la, uma ofensa á dona da casa.
Só deve ser servida  depois que todos os pratos forem retirados,bem como os complementos.
O guardanapo deve ser colocado ,amarfanhado,sobre a mesa.
Bom Apetite!


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                                           Até mais ver!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

OS SINOS DE SANTA MARIA


                       O BLOG DE JANEIRO/2013



Durante muitos anos os sinos de Santa Maria só tocarão finados.Impossível ter alegria quando o riso dos  jovens,seus sonhos ficaram sepultados debaixo de um monte de fumaça.Rostos lindos,almas lindas,uma vida a conquistar,um mundo a vencer e o que sobrou?Corpos empilhados,luto total.
E porque esses jovens foram assim punidos? Apenas estavam fazendo o que é dado a todo jovem fazer nesta idade de sonhos ;divertir-se,cantar,dançar,celebrar a vida.
Meu coração baiano chorou por eles;os sinos da minha catedral  dobraram finados porque eu sou parte do gênero humano;a morte de pessoa é uma perda que me entristece,porque eu sou mãe,avó e ser humano.Esses sinos dobraram por nós ,aqui,dobraram no Rio,no Norte,no Centro,ultrapassaram as fronteiras da pátria e dobraram também pelo mundo.Pois ,em cada lugar deste planeta há um sofredor,chora-se uma perda,lamenta-se uma vida,botão de rosa que não abriu,ceifada pela fatalidade,pelo álcool,pelas drogas.
De quem foi a culpa? A quem deve ser apresentada a conta?São tantos os listados como culpados  que isso me preocupa,capaz que não apareça nenhum.Culpa coletiva é muito perigoso,pois num monstro de cem cabeças,poucas cabeças responderão por esse verdadeiro holocausto.
Restam aos pais,aos avós,aos amigos,administrar a dor.
Durante este período ouvi,na TV,diversas entrevistas com entendidos;todos exibiam suas sapiências e ideias;técnicos,disto,daquilo,daquiloutro...
Mas,o bom senso  me   mostra que  aquele local,onde 1000 pessoas dançavam e se divertiam,tinha apenas uma porta de saída de 80 cm.
E,nenhuma sinalização que indicasse que a saída seria por ali.
Aquilo não era um local de diversão,era uma arapuca mortal.Ninguém viu isso?Pensou nisto?
Nesta resposta  - ou seja,  nenhuma -selou-se o destino dos jovens;belos,alegres,divertidos,arrojados,mas ,completamente só diante do seu sacrifício.



                        TIPOS POPULARES DA BAHIA


TIPOS POPULARES DA VELHA BAHIA
PROFESSOR GUSMÃO

Não foi do meu tempo pois essa estória é bem antiga, dos tempos da minha avó.
Ninguém conhecia sua origem  ,profissão ou educação,mas,era chamado  professor ,por toda gente.Talvez devido á sua grande erudição.
De tudo sabia, discorria sobre qualquer assunto, de política á vida alheia.
O certo é que,apesar de aluado tinha o respeito da comunidade pois o baiano admira o saber .
Minha avó o descrevia como um tipo alto,canhestro, sempre com um livro debaixo do braço.
Assim percorria toda a cidade  sempre  falando e discursando coisas sem nexo ou dizendo   bobagens , ás vezes com algum fundo de verdade.
Adorava os festejos de Dois de Julho.
Subia sem cerimônia no  palanque armado no Largo de Santo Antonio batendo palmas , recitando versos de sua autoria ou narrando fatos históricos onde louvava nossos heróis com reverencia  e denodo.
Mas ,do que ele gostava  mesmo  era de polemizar sobre literatura.Comprava muita briga e não respeitava patente.
Aproveitava o espaço que Aloísio de Carvalho, o famoso Lulu Parola ( poeta satírico  dos melhores  desta  terra) , lhe dava no seu importante Jornal de Notícias  para provocar outros poetas iguais a ele,chamados “poetas de água doce” que era como o povo denominava os maus poetas. Nesta terra de Gregório de Matos, Castro Alves e Artur de Salles as pessoas não tinham muita paciência com  versos de pé quebrado,como se dizia.
Sua discussão com Manoel Tolentino, outro poeta de rua,ficou famosa.
O Tolentino publicou no jornal esses versinhos contra o Professor:
A onça, bicho feroz,
Que tudo come ou devora
Pegou professor Gusmão,
Mastigou e...jogou fora.
Exasperado,o Professor nunca perdoou  o colega e o perseguiu com versos até o fim da vida.



                             AVENIDA DENDEZEIROS DO BONFIM
Num trabalho produzido para as Obras do Porto ,J.F. da Silva Lima justifica este nome "pelo excesso de palmeiras desta  espécie,dendezeiros,plantada em toda extensão da Avenida,uma das principais da Cidade Baixa,por onde passa a Lavagem do Bonfim.
Foi conhecida,também,com o Caminho de Roma,Caminho dos Dendezeiros etc
Batizada,oficialmente ,como Avenida Bonfim,esse nome nunca "pegou",porque,como dizia Afrânio Peixoto," as ruas é que punham,outrora a si próprias ,os seus nomes..."
Lá está instalado o Colégio da Polícia Militar, o SENAI e o Hospital Santo Antonio. 


                                                                                             SE O BAIANO DIZ...

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                                                                              JANEIRO SE FOI.VIVA FEVEREIRO...





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A BAHIA ENLUTADA




                             ADEUS,MESTRE BIRA

HÁ NOTÍCIAS QUE A GENTE GOSTARIA DE NÃO DAR.MAS,SÃO INEVITÁVEIS,EMBORA DOLOROSAS.MESTRE UBIRATAN CASTRO NOS DEIXOU.SUS BONDADE,SUA SABEDORIA,SEU JEITO BAIANO DE SER FARÃO MUITA FALTA.
UMA GRANDE PERDA PARA A CULTURA BAIANA. MESTRE UBIRATAN CASTRO, O QUERIDO BIRA,NOS DEIXOU.
ESSA PERDA IRREPARÁVEL NOS DEIXOU A TODOS,SEUS AMIGOS,MERGULHADOS NA MAIS PROFUNDA TRISTEZA.
SUA ALMA SÁBIA E PURA PARTIU PARA O INFINITO E DESCANSARÁ AO LADO DE DEUS.
MINHAS CONDOLÊNCIAS Á FAMÍLIA.


Morreu na manhã desta quinta-feira (3) o professor e historiador baiano Ubiratan Castro, 64 anos. A mulher dele, Mária da Glória Machado, informou ao G1 que o marido faleceu por volta da 7h, no Hospital Espanhol, onde esteve internado desde o dia 30 de setembro. No início de outubro, Ubiratan foi transferido para a UTI. Segundo Maria da Glória, ele sofria de insuficiência renal.
Ainda não há informações sobre o sepultamento porque a família aguarda a chegada dos filhos que estão em São Paulo.
Ubiratan era diretor da Fundação Pedro Calmon, ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Ele também pertencia ao quadro de professores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e foi um dos fundadores do Centro de Estudos Afro Orientais (Ceao). Atualmente, ele estava afastado da universidade para assumir o cargo de diretor da Fundação.
Formação
Ubiratan Castro era doutor em História pela Université Paris IV-Sorbonne, mestre em história pela Université Paris X-Nanterre, licenciado em História pela Universidade Católica do Salvador e bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia. Era também membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupava a cadeira 33.
O professor foi presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador e trabalhou até 2006 com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, dirigindo a Fundação Cultural Palmares.
Ubiratan escreveu os livros "A Guerra da Bahia", "Salvador Era Assim - Memórias da Cidade e Sete Histórias de Negro". Lançou em 2009, na cidade de Cachoeira o livro de contos "Histórias de Negro".
FONTE:G1,BA

UMA PARTE DA BAHIA DE OUTRORA PARTIU DEIXANDO SAUDADES.
REVERÊNCIA,BAIANOS ,PARA ESSE GRANDE NOME QUE NOS DEIXOU.