segunda-feira, 9 de agosto de 2010
PARATY, EIS-ME AQUI!
Vim a Paraty sem idéias definidas e movida apenas pelo desejo de participar da mais importante festa literária do nosso pais.
Viajar é preciso, principalmente para o novel escritor,pois,como ensinavam os antigos,pé que não anda não dá topada.
Paraty é uma cidade histórica,uma visão deliciosa do passado,como Ouro Preto e Mariana,como Salvador e eu adoro cidades assim.
Imagino que alguém já tenha escrito um livro sobre Paraty de Outrora,assim como eu fiz sobre a Bahia,no intuito de preservar nossas tradições e valores.Se houvesse um livro assim eu gostaria de ler.
Este ano o grande homenageado é o Gilberto Freyre e este fato atiçava ainda mais o meu desejo de participar; bebi muito da sabedoria do passado nos livros desse pernambucano emérito e não poderia perder debates sobre sua obra.
Mas,o melhor da vida são as surpresas;coisa boa quando o inesperado nos bate à porta e toma as rédeas do nosso destino ou viagem e nos conduz para onde devemos ir.
Em Paraty,além de encantar-me com a cidade,encantei-me ,sobretudo com as gentes.
Enriqueci-me conhecendo pessoas tão diferentes e tão iguais,gente generosa,gente alegre,gente festeira,gente corajosa.Como aqueles poetas de rua recitando seus versos ao luar;ou aqueles violeiros mostrando o poder da música ,preservando modinhas e instrumentos decretados à extinção.Ou
Procuradora de amigos que sempre fui ,encontrei alguns e fiz dezenas.
Na saída de um telão revi,com prazer,Guiomar de Grammont,que trouxe o seu charme e sua elegância serena para a FLIP;numa loja,encontrei a Vanderlúcia,do Recanto das Letras,mineirinha linda,poetisa sensível e sorriso angelical.Revi Lílian Schwartz,sempre gentil e atarefada.
É pena não ter encontrado nenhum baiano;acho que daqui não foi ninguém.
No rol dos novos conhecimentos não posso deixar de citar Mr. Darnton,diretor de biblioteca de Harvard ,fiel depositário do “ A Bahia de Outrora” que deve ter chegado meio acanhada naquele templo do saber,onde convivem todos os grandes autores do mundo.Mas,baiano se dá bem com sua manimolencia e sorriso aberto.
Uma pausa especial para falar de David e Jacó que muito gentilmente me ofereceram seu espaço para fazer um mini –lançamento do “Bahia”.
Com o elegante restaurante cheio não foi difícil vender todos os exemplares.
Quando falava do livro todos queriam vê-lo conhecer um pouco dos textos,elogiavam a capa e uma senhora me disse:
-Simplesmente a.d.o.r.e.i o “Manual para entender os baianos.Incrível!
Como uma mãe que apresenta um filho quase estourei de felicidade.
Ás vezes,entrava numa loja para comprar e acabava vendendo;como aconteceu no atelier da Gis,uma distinta senhora,dona de uma bela loja de artesanato.
Trouxe umas lembrancinhas e lá deixei o Bahia;em muito boas mãos,claro!
Lamentei não ter tido tempo de encontrar outras pessoas,como a Maria Della Costa que tanto admirei nos palcos;ou o Príncipe D.João,a cujo sarau faltei,pois viajaria ao meio – dia do sábado.
Mas,pretendo voltar a Paraty e terminar o que comecei.Um resgate magnífico do passado e um olhar esperançoso para o futuro.
FALAM OS AMIGOS:
Imagino como a Miriam, a baiana sapeca que é, não se divertiu em Paraty, além de beber em tantas fontes literárias, presentes ao evento. Quem sabe no ano que vem não estaremos juntos por lá? Parabéns amiga. E sucesso sempre!!! Beijos
Euripedes.
Miriam,
Parabéns pelo sucesso do seu novo livro! A gente sabe que vender livros não é tão fácil e você está encontrando um espaço legal porque você é batalhadora e tenho certeza que está fazendo a diferença por onde passa. Só de ler o seu e- mail me imaginei em Paraty. Quem sabe na próxima FLIP nos encontraremos lá. Cada dia fico mais orgulhosa de você e de ter te conhecido na Bienal de Minas e para não esquecer da gente vou te enviar um e-mail que gostei muito.
Abraços, BEL
Miriam.....
Vc e' um exemplo para autores.
Eu acho vc moderna, prafrentex como se dizia antes.
Quando era criança perguntavam .....
- O que vc quer ser, quem vc gostaria de ser.... ?
Se perguntassem isto hoje eu responderia
- Quero ser igual a Miriam.
Sou sua fa. Parabéns. Acho vc linda, suas atitudes nos encantam.
Parabéns.
Marina Moreno Gentile
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
AS PROFESSORINHAS DE OUTRORA!
...ESSA OPERÁRIA DIVINA,QUE LÁ NO SUBURBIO ENSINA,AS CRIANCINHAS A LER....
O VERSO É LINDO,MAS,A PROFISSÃO SEMPRE FOI CHEIA DE ALTOS E BAIXOS;EXIGE MUITO E RENDE POUCO.
Se nos nossos tempos é assim,imagine no passado!Começa que a mestra não tinha mais vida própria:virava instituição,como o padre e o delegado,na comunidade onde trabalhasse.A mestra tinha que ser austera,fechada,comedida,pois,muito riso é sinal se pouco sizo,enérgica e ao mesmo tempo meiga,discretíssima no vestir e irretocável na sua vida particular.Apesar da miséria que ganhava,tinha que se vestir condignamente,pois,professora não podia ser uma “fragata mulambo”,ou parecer uma gasguita de porta de venda.Para sobreviver tinha que ser heróica;pôr-se a salvo dos “dissemedisse” e dos olheiros.Não podia se permitir certas liberdades,nem fraquezas.
O dinheiro que ganhava era pouco e incerto;por isso,era necessário ter um procurador,que era o homem que cuidava dos papeis,trazia o ordenado nos dias certos,independente se o Tesouro pagasse ou não,descontando sua comissão,claro.Muitos eram desonestos,faziam jogadas escusas com o dinheiro das menos espertas,forjava atrasos,ás vezes sumindo com o dinheiro,ficando com o dela,dizendo que não recebeu e emprestando o mesmo dinheiro á coitada,a juros altos;muitas viviam endividadas.Se não tivesse uma família bem de vida,a carga era maior;se tivesse pai ou irmãos vivos e trabalhando,menos mal,dava até para ter alguma economia,mas,se o pai batesse as botas,”caísse a cumeeira da casa”como se dizia,ela teria,com seus parcos recursos de sustentar a família,inclusive as irmãs casadoiras,que viviam no nobre oficio de “encontrar marido”,portanto não poderiam ter profissões malditas,como lavadeiras,cozinheiras ou doceiras;o máximo que podiam era costurar ou bordar.Assim,a professorinha se virava,pegava alunos particulares,mesmo no horário do Governo;como as escolas ficavam na sala da frente da casa,e,o Inspetor vinha fiscalizar uma vez por semana,as irmãs não podiam ficar nas janelase,aí-como arrumar marido!?-ficava o impasse.
As professoras também tinham dificuldade em namorar;não podia ser ninguém abaixo da sua classe social;se ela fosse negra,pior,pois os negros formados só queriam as brancas e os brancos não casariam com elas.Algumas jogavam o diploma ás favas e casavam com operários,mandando ao diabo as convenções.Porém,negras ou brancas,ricas ou pobres,o perigo maior eram os “felipes”,termo pejorativo para marido de professora.Felipes eram sujeitos preguiçosos,bom-vivants,sem eira nem beira,simpáticos,que arrastavam a asa para as professoras,afim de ganhar um INPS garantido e nunca mais trabalhar. No Sul eram chamados de chopim,por causa do passarinho que vivia á custa dos periquitos.Homem que não tivesse onde cair morto se acostava com a professora onde teria casa,comida e roupa lavada,o paraíso,num tempo onde os empregos não eram seguros e não havia previdência;estamos falando das décadas de 20 ou 30.Como em casa que falta pão,todo mundo grita e ninguém tem razão,quem mandava no lar era a professora;ela pagava “a caderneta”da venda,o açougue,o aluguel,e,ainda lhes vestia e lhes dava uns trocados para a caninha e o tabaco.Eles colaboravam arrumando a casa,lavando,cozinhando,cumprindo as obrigações de cama,fazendo pequenos mandados. Monteiro Lobato diz que conheceu um que chegou a dar a luz a um “crianço”,não sei se é verdade;mas,como Lobato era um homem muito á frente do seu tempo e.,agora,os homens estão engravidando.....
Saiba mais sobre as coisas de antigamente no livro "A Bahia de Outrora".
Encontre-o na Galeria do Livro (Pça. Castro Alves)Livrarias do Aeroporto e Rodoviária
ou peça neste blog.IMG:Busca Google
domingo, 1 de agosto de 2010
RECEITA CONTRA URUCUBACA
Estamos em agosto
Todo cuidado é pouco!
Esta vem da Tailandia,em boa hora de crise financeira,bancos quebrando ou a quebrar,bolsas despencando,o touro de Wall Street virando boi de pasto,o desemprego esperando em cada esquina,a recessão alemã,inglesa e espanhola,as montadoras de automóvel,símbolo do capitalismo americano,á beira da falência,pé de pato,mangalô.treis veis,temos que nos cobrir.
Mas,vamos á receita:
Faça uma cestinha com folhas de bananeira e encha com flores frescas e velas.escreva todos os seus problemas num papelzinho,dobre e acomode na cestinha,entre as flores.Solte num mar ou num rio,do lado favorável á corrente e peça que a água carregue todas as suas aflições para bem longe e lhe traga paz e felicidade.
Na Bahia,já fazemos isso há tempos,em Fevereiro,na festa de Yemanjá.Nas cestinhas de vime colocamos os presentes para a Raínha do Mar:flores,espelhos,perfumes,jóias,maquiagem,tudo que poderia agradar uma moça bonita e vaidosa.se ela aceita o presente,o mar leva e a pessoa pode ficar certa que será atendida;se Yemanjá recusa,devolve o presente para a praia e,aí,é se pegar com outro santo.
Vocês acham que isto é macumba de nordestino ignorante?Então me responda porque a Marinha do Brasil joga flores no mar?
Dizer que é para homenagear os mortos me parece mentira de pescador.
Leia mais sobre banhos de cheiro,mandingas,corpo fechado n'A Bahia de Outrora.
Aproveite que é 1º de Agosto,saia e compre JÁ!
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